Ontem será um dia que tão cedo não me vai sair da memória. Diria que foi um dos melhores momentos nesta minha, ainda curta, “carreira” de maratonista. No meu regresso à Maratona do Porto tudo correu às mil maravilhas: arriscaria a dizer que foi uma Corrida Perfeita. Quando acordei às 5h30 da manhã estava longe de imaginar o que se iria passar dali a 7 horas.

 

Um novo recorde pessoal aos 42km, bem abaixo do anterior. Finalmente está quebrada a barreira das 3h30. Não era para ser em Madrid…em casa este resultado soube ainda melhor!

Rotina do costume em dia de Maratona do Porto

Já tenho a minha rotina de dias de prova e como sempre o despertar é bem cedo, para garantir que à hora da partida o corpo já está bem disperto. A alvorada foi pelas 5h30 para poder tomar banho, tomar o pequeno-almoço e verificar que tinha tudo pronto.

 

Acordei bem disposto, mas rapidamente a ansiedade começou a tomar conta de mim. À medida que a hora da corrida se aproximava, aumentavam também os nervos. Na cabeça também uma ligeira preocupação. No dia anterior antes de me deitar tinha começado a sentir alguns sintomas de quando fico com febre e estava com receio que isso pudesse afectar a minha prestação na Maratona do Porto.

 

Sabia que tudo passaria mal começasse a correr, mas até lá foi segurar as emoções, respirar fundo e concentrar,

Chuva abençoada

 

Talvez para muita gente correr Maratona do Porto com frio e chuva não seria propriamente o desejado (nem para mim!), mas foi com isso que São Pedro nos abençoou. A verdade é que a temperatura mais baixa e a chuva que nunca chegou a incomodar acabaram por permitir melhores marcas a quase todos os ateltas.

 

Para mim foi sem dúvida uma corrida bem abençoada. Senti-me sempre bem, sempre no comando e sem nunca forçar em demasia. Não sei ao certo se foi da chuva…mas que foi com ela que bati o meu recorde foi!

Correr sempre com cabeça

 

Esta foi provavelmente a prova onde tive mais consciente do que estava a fazer. Sempre atento ao ritmo para não forçar demasiado no início, muita atenção à alimentação e hidratação. Nada de abusos e sempre a sentir-me confortável. Este foi essencialmente o segredo da prova. Deixar o corpo ir, mas de forma controlada, para no final gerir o ritmo de forma a atingir o meu objetivo.

 

Confesso que sou daqueles corredores que se costuma deixar levar pela adrenalina na partida. Só que desta vez foquei-me em acalmar o ritmo da partida e deixar as pernas começarem a rolar naturalmente sem forçar. Os três primeiros quilómetros foram sempre a cumprir o ritmo que tinha estipulado para a prova (4.59min/km), mas as sensações foram boas o suficiente para acelerar mais um pouco nos kms seguintes e ir gerindo a prova conforme as sensações.

 

Pelo km 7 a média já rondava os 4.47min/km e foi assim que se manteve até ao final da prova. Foi uma prova extremamente consistente, com uns kms mais rápidos outros mais lentos.

Nem um pequeno susto me fez abrandar

Já estava do lado de Gaia e continuava admirado com o andamento. Mas como o corpo reagia tão bem fui mantendo o ritmo, na esperança que as pilhas não acabassem depois de cruzar o muro.

 

Quando estava a passar pela Ponte da Arrábida senti um músculo na parte de trás da coxa a prender. Talvez o frio estivesse a provocar uma caimbra. Confesso que nesse momento pensei que o ritmo podia estar demasiado forte e que o o meu corpo se começava a ressentir.

 

Não entrei em desespero. Respirei fundo, continuei a controlar o andamento e dei uma palmada na coxa a ver se soltava o músculo. Continuei e depois do retorno na Afurada nunca mais pensei no assunto.

E depois da barreira dos 32kms? Como vai ser?

Com o regresso ao Porto havia duas coisas que me pairavam na cabeça. Uma delas era a grande surpresa por ao fim de quase 30km continuar num ritmo constante abaixo dos 4.50min/km, quando tinha estipulado para a prova 4.59min/km. Sentia-me bem, com energia e estava bem mais perto do António (o Ferrari) do que pensei que ia estar!

 

Outra delas era a dúvida sobre o que aconteceria depois dos 32km. Tanto na minha primeira Maratona do Porto como em Madrid foi a partir deste momento que comecei a perder o fôlego enão queria que isso voltasse a acontecer. Será que desta vez ia ser diferente? Ou ia voltar a sofrer nos últimos 10km da minha quarta maratona?

 

Decidi pôr de lado estas ideias mais negativas. A minha nova aliada foi a música “This is Me” do Greatest Showman. A letra não me deixou quebrar e foi uma constante ao longo dos 42km para ajudar a afugentar os maus pensamentos! Comecei a fazer contas e apercebi-me que mesmo que baixasse um pouco mais o ritmo, dificilmente a meta de baixar das 3h30 me escaparia.

 

Por isso, agarrei-me o mais que pude a este pensamento! Resolvi baixar um pouco ritmo para não me arriscar a estourar ou a deitar todo aquele esforço por terra. Foi a melhor opção.

Sorrir até ao final da Maratona do Porto

A sorrir! A Corrida Perfeita na Maratona do Porto
A sorrir porque a Corrida Perfeita foi na Maratona do Porto

Sinto que pela primeira vez disfrutei dos últimos quilómetros da maratona sem sofrer. Sorri! Sorri muito! Claro, sentia que estava perto. Sentia que não só estava prestes a cumprir o meu objetivo, como ainda tinha conseguido ir mais além.

 

É neste momento que os três últimos meses de preparação passam pela cabeça em flashback. Apesar de ter abdicado de algumas coisas para poder cumprir o plano de treino, de alimentação e descanso, neste momento tudo passa a ser por uma boa causa. Por isso, o esforço valeu a pena!

 

Pelo caminho ainda houve forças para a dar apoio moral a quem as forças começavam a faltar. Sei bem como simples palavras podem servir de alento mesmo quando o nosso corpo parece já não nos parece obedecer. Por isso mesmo fiz questão de ir dando algum incentivo, como gostaria que fizessem comigo.

Os 3kms finais da Maratona do Porto

Nunca a Avenida Brasil me pareceu tão interminável!!! Apesar de saber que a meta já estava ali bem perto, a ansiedade começava a aumentar. Queria chegar, mas parecia que os quilómetros aumentavam apesar de manter um ritmo bem vivo. Foi aí que apareceu a cavalaria! Os Titan Runners! Passaram horas a fio ao frio e à chuva, mas ainda assim conseguiram encher-me o coração de calor com os gritos de apoio, de incentivo e de força! Obrigado a eles todos que estiveram nos quilómetros iniciais e nos finais!

 

Mesmo antes de se confirmar o grande resultado ainda foi tempo de ser brindado com mais uns gritos de apoio da malta de Lisboa (mais uns grandes que a corrida pôs no meu caminho)! Obrigado também a vocês pela força e por viverem o meu resultado como se fosse o vosso!

E finalmente chegou a altura de cruzar a meta. Há três meses atrás dificilmente acreditaria que fazer 3h23min era impossível! Mas aconteceu! Está quebrada a barreira das 3h30. Agora é pensar na próxima barreira e começar a trabalhar para a ultrapassar. Em Sevilha quem sabe….

Ainda há mais coisas para contar e uma muito especial…de uma pessoa muito especial! Prometo voltar em breve com esta história.

Aos novos Maratonistas!

Não podia deixar de deixar aqui bem assentes os meus parabéns aos novos Maratonistas!

 

Marcos: foi um prazer acompanhar de perto a tua jornada. Sei que o bichinho ficou aí e que em breve estarás à procura da próxima maratona para correr! Parabéns Campeão!

 

António: não é qualquer um que na estreia na maratona faz o que tu fizeste companheiro! És um Ferrari! Quando comprar as jantes novas, talvez te apanhe! Bem-vindo ao clube!

 

Ângela: foi um caminho duro, muito duro, mas nunca desististe quando muitos o fariam! Venceste os medos, os receios e as dores e esta vitória já ninguém te tira! Orgulho!!!

 

Cláudia: Muitos parabéns pelo teu esforço e por conseguires ultrapassar os teus limites! 

Resultado 15ª Maratona do Porto 2018

 

Tempo Oficial: 3h24m26s

Tempo Chip: 3h23m26s

Ritmo: 4.50min/km

Classificação Geral: 764º Lugar

Classificação Escalão: 135º Lugar

 

GALERIA DE FOTOGRAFIAS MARATONA DO PORTO 2018 

 

 

4 Comentários

  • Camila Rosa

    Uauuu Parabéns Tiago! Eu gostaria muito de iniciar a corrida, quais dica daria para iniciante?

    • runticasrunadmin

      O principal já pareces ter: vontade. É fundamental. A maior parte das pessoas diz que não gosta de correr (eu também era assim) porque querem sempre começar a correr muito depressa e rapidamente perdem o fôlego ou pela velocidade excessiva até se podem magoar. Por isso o meu conselho para começares, caso não corras de todo é começares a andar 3 a 4x por semanas cerca de 30 minutos e desse tempo correr inicialmente 5min e aos poucos ir aumentando a percentagem de corrida.

  • Pada

    Gostaria de um dia fazer uma maratona! Mas ainda me falta a coragem
    PadaandLuda * Página * BlogLovin

    • runticasrunadmin

      É uma coisa que leva o seu tempo a preparar, mas se já tens essa vontade um dia vai chegar o momento da decisão de realmente a fazeres. É dares tempo ao tempo

Abranda o ritmo e não te esqueças de me deixar o teu comentário