Aquilo que me propus quando fui correr a Meia Maratona D’Ouro Run foi nunca desistir e não deixar que a mente se impusesse sobre o físico. Sabia que não estava no meu melhor momento de forma, mas sabia também que o meu corpo vale mais do que a 1h39 que fiz na Meia Maratona do Douro Vinhateiro. Tinha que ir tirar a prova dos nove e foi o que fiz: missão cumprida!

 

Apesar de ser conhecida pelas temperaturas altas, este ano a D’Ouro Run teve direito a dia molhado. Céu cinzento, carregado e com alguns aguaçeiros espaçados foi o que o São Pedro teve para nos oferecer. Uma prova exigente fisicamente, com subidas e descidas constantes, mas onde a palavra de ordem foi sempre: NÃO DESISTIR!

Últimos 5km da D’Ouro Run sacados a ferros

Desta vez resolvi começar pelo fim da D’Ouro Run neste meu relato da prova. Foi aqui que tive de me desafiar mais, mesmo com as pernas a darem as últimas não queria nem por nada abrandar o ritmo. Provavelmente quem passou por mim ou me viu a passar deve ter pensado que era tolinho: entre gritos, palavras de incentivo e umas chapadas ora na cara ora nas pernas (sim chapadas!!!) tudo foi usado para me manter focado no objetivo continuar a correr atrás do relógio.

 

Sabia que não ia ser nem de perto nem de longe o meu melhor resultado do ano na meia-maratona, mas nem por isso queria abrandar. Estava ali em jogo a minha confiança, um verdadeiro braço-de-ferro entre o corpo e mente que não devia acontecer porque os dois unidos são muito mais fortes. A verdade é que mesmo com mais de 1h35m de tempo oficial fiquei muito satisfeito principalmente pelo ritmo que consegui atingir nos últimos quilómetros. Nos kms 17, 19 e 20 consegui mesmo andar abaixo do ritmo médio da prova e isso deveu-se à minha insistência e preseverança. As pernas já estavam cansadas mas eu sabia que ainda podiam dar mais um bocadinho… e puderam mesmo!

Primeiros 10km em ritmo forte

Mas voltemos agora ao início da prova. Sabia bem ao que ia. A lição estava estudada e sabia que esta prova seria até mais dura que a Meia Maratona do Douro Vinhateiro. Enquanto que na Régua a subida é constante mas com pouca inclinação, na D’Ouro Run era um verdadeiro sobe e desce mas com momentos de inclinação bastante superiores. Mesmo com a possibilidade de recuperar nas descidas a verdade é que as subidas moíam bem as pernas.

 

Ainda assim os 10km foram sempre feitos abaixo do ritmo para um tempo final de 1h30. Para isso contei com o apoio de uma lebre que já começa a ser presença habitual destes relatos: o António (tanto em Lisboa como em Madrid). Só nos encontramos na estrada lá pelo km 4 mas a partir daí fomos sempre a forçar o andamento. Ele, uma verdadeira máquina, na frente a puxar e eu a tentar seguir no encalço apesar de sentir que não ia conseguir aguentar aquele ritmo até ao fim. Sonhar não custa e pelo km 7 ainda pensava que por obra do Espírito Santo até podia conseguir, mas as leis de física de Newton prevaleceram e ali pelo km 9 percebi que ia ter de abrandar um pouco o ritmo para não acabar a prova em sofrimento.

 

O António bem tentou! Perguntou uma, duas e três vezes se não conseguia seguir no ritmo, mas sabia que ao tentar fazê-lo além de o estar a atrasar também ia condicionar a minha corrida. A partir do km 10 sabia que ia ter uma batalha a travar comigo mesmo.

Estratégia na corrida é tudo

O que se seguiu ao km 10 foi um realinhar de estratégia. Por mais que quisesse seguir no encalço do António, sabia que que não conseguia. Mas isso não significava que ia desistir da minha corrida. Abrandei um pouco o ritmo, recuperei um pouco e depois foi tempo de voltar à carga. O gel que tomei ao km 10 ajudou bastante a  recuperar energia e voltar a acertar o ritmo. Diga-se que o António ainda assim acabou por conseguir ganhar-me 7 minutos e acabar com um tempo na casa da 1h28m (este rapaz é uma máquina!).

 

A partir daí fui fazendo variações de ritmo para não deixar esmorecer, mas também não queimar todos os cartuchos. Ainda faltavam 11km para o fim. As descidas foram todas aproveitadas para recuperar tempo e as subidas foram todas bem geridas para não deixar cair demasiado o ritmo. Apesar de tudo sentia-me bem e estava ali para provar a mim mesmo que conseguia mais.

 

Há medida que os kms passavam as boas sensações do início da prova voltavam e sentia-me cada vez mais confiante e resolvi voltar a acelerar o ritmo para os últimos 5km. O resto já vos contei lá em cima! E foi esta a história da D’Ouro Run

Que venha a Corrida de São João

Esta semana ainda não vai ser para descansar porque no domingo volto à estrada, provavelmente para a última prova antes de Setembro. Trata-se da Corrida de São João que este ano atravessou a margem para o lado de Gaia.

Resultados Meia Maratona D’Ouro Run 2018

 

Tempo Oficial: 1h35m31s

Tempo Líquido: 1h35m02s

Classificação Geral: 138º lugar

Classificação Masculinos: 134º lugar

Classificação Escalão M-Juniores/Seniores: 27º lugar

 

Galeria Meia Maratona D’Ouro Run 2018

Fotografias da autoria de Maria José Ortigão (vulgo Minha Mãe!)

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