As previsões durante a semana chegaram a anunciar chuva para este domingo, mas na Régua o que tivemos direito foi ao já conhecido calor abafado e infernal do Alto Douro Vinhateiro. A água despejada pelo corpo inteiro não foi suficiente para minimizar os efeitos perversos das altas temperaturas e o corpo ressentiu-se na minha quarta participação na Meia Maratona do Douro Vinhateiro.

 

Há quatro anos consecutivos que participo na Meia Maratona do Douro Vinhateiro e é sempre uma prova difícil. Apesar de não ter grandes pendentes tem variações constantes de inclinação. Isto torna a gestão da corrida mais difícil e, aliada ao calor, torna-a numa prova de enorme esforço e superação.

Partida na Barragem de Bagaúste

9h45: À chegada à Barragem de Bagaúste a agitação já é grande. Ainda vou a caminho da partida e o mar de gente já é. Vêm de autocarro ou de comboio mas o objetivo, esse, é o mesmo: correr n’ A Mais Bela Corrida do Mundo: a Meia Maratona do Douro Vinhateiro.

 

Ainda é cedo, mas já todos prevêem o que se vai passar, MUITO CALOR. Os comentários são vários, mas o que mais se ouve é a importância da hidratação para não quebrar. Sim, nestes dias a hidratação deve ser a principal preocupação de um corredor. Falhar um abastecimento é PROÍBIDO.

 

Ainda que sem a mesma enchente de outros anos (pelo menos foi o que me pareceu) a barragem encheu-se de corredores ansiosos por percorrer os 21km junto ao Rio Douro. E que melhor forma de apreciar a boineta paisagem desta região que são Património Mundial da UNESCO.

Este ano não foi para tempos

10h30: Este foi o quarto ano consecutivo que estive na Régua, e foi aquele em que estive mais calmo, mais consciente daquilo que o meu corpo tinha para dar, o ano em que melhor geri a corrida.

 

Sim, o resultado não foi de todo o melhor que já fiz nesta corrida… Já andei bem perto da 1h30, mas este ano o ciclo de forma não coincidiu com a Meia Maratona do Douro Vinhateiro e um tempo ligeiramente abaixo da 1h40 foi o melhor que consegui.

 

Parti sereno, num ritmo tranquilo, sem grandes aventuras. O meu objectivo era manter um ritmo mais ou menos constante e chegar ao fim sem esgotar as energias. Não queria levar ao limite o corpo. Queria sim ir correndo e vendo o que as pernas tinham para me dar neste dia.

As pernas tiraram folga na Meia Maratona do Douro

Como seguia num ritmo controlado e confortável, não me quis deixar relaxar em demasia. Por isso mesmo, fui testando aqui e a ali as pernas. Fui apalpando terreno para ver até onde é que elas me podiam levar. Mandei fax, mandei sms, mandei um toque e até tentei sinais de fumo…mas nada. Por mais que quisesse as pernas não respondiam.

 

Basicamente fiquei com a sensação que ficaram no Porto ou a meio de caminho…tentava uma aceleração, mas sentia-as sempre pesadas. Parecia que estava com a caixa de velocidades avariada. E com tão fraca resposta concluí que o melhor seria seguir no ritmo e fazer de tudo para não quebrar. Forçar em demasia num dia tão quente podia ser pior. Aquele não era o meu dia…acontece a todos. 

Hidratação é palavra de ordem na Meia Maratona do Douro Vinhateiro

Quem já correu esta prova sabe o quão importante é manter o corpo hidratado ao longo dos 21kms. Não estou só a falar de beber água, mas também do resto do corpo. Na Régua: 10% da garrafa é para beber, os outros 90% são para despejar pelo corpo e mantendo-o o mais fresco possível. Posso-vos dizer que mais parecia estar num concurso da “Miss T-shirt Molhada”, mas lá fresquinho vim (dentro dos possíveis. E não ficaste encharcado? Fiquei! Mas cinco minutos depois de cortar a meta já estava seco (vejam lá o calor que não estava).

 

Em anos anteriores muita gente se queixou da falta de água em alguns dos pontos de abastecimentos. Não me pareceu que esse tenha sido o caso este ano o que é um sinal positivo para a Running Wonders. Muitos pontos de abastecimento, tão necessários num dia tão quente como aquele.

 

Uma nota à organização para os problemas na entrega de dorsais que se voltam a repetir ano após ano. Mais uma vez muito tempo à espera para a entrega dos dorsais + kit no dia da prova, com muitos atletas sem receberem as prometidas garrafas de vinho e a t-shirt técnica da Meia Maratona (o meu caso). Não é por isso que vou à Meia Maratona do Douro, mas todo o constrangimento antes da prova acaba por aumentar a ansiedade por causa dos horários a cumprir da partida dos comboios.

 

Fim de prova

Além do resto do percurso, a chegada à Régua é para mim uma das fases mais bonitas desta corrida. E não, não é só porque a meta está perto. Há algo mágico no Peso da Régua, que faz com que esta seja apelidada “A Mais Bela Corrida do Mundo”.

 

Apesar do tempo não ter sido dos melhores que já fiz, a verdade é que fiquei satisfeito por ter conseguido gerir bem esta prova. No final, apesar de cansado, ainda havia forças para voltar um pouco atrás e esperar pelos meus companheiros de jornada (a Ângela e o Joaquim) e dar-lhes um apoio final nos últimos metros da prova. A Ângela vinha em grande sofirmento, com uma coxa a gritar por uns miminhos da Cruz Vermelha, o Joaquim vinha também ele cansado mas acompanhado de um Pokémon gigante ( de nome Bruno) que fazia um estrondoso sucesso com a assistência.

Resultado Final na Meia Maratona do Douro Vinhateiro

Tempo Oficial: 1h40m49s

Tempo Líquido: 1h39m15s

Classificação Geral: 462º lugar

Classificação Masculinos: 442º lugar

Classificação Escalão M-Seniores: 97º lugar

 

É tempo de pensar nos próximos desafios: Douro Run e a Corrida de São João

Galeria Meia Maratona do Douro Vinhateiro

1 Comentário

  • Ângela Mendes

    Parabéns pela prova!! Parabéns pelo texto!

    Ter a tua companhia nos últimos metros foi uma lufada de ar fresco! Mais uma vez, obrigada! 😉

Abranda o ritmo e não te esqueças de me deixar o teu comentário