Nesta segunda parte vou contar-vos a par e passo como decorreu a prova em Madrid. Se ainda não a primeira parte podem fazê-lo aqui. Não quero que percam pitada do que aconteceu na Maratona de Madrid, a minha terceira maratona.

 

Um Início de Prova Animador nas calles de madrid

Foi um grande dia para correr aquele a que tivemos direito em Madrid. Um dia que amanheceu relativamente fresco, mas que foi aquecendo ao longo dos 42km, mas sem nunca se tornar insuportável. Sabia bem o que tinha para fazer…gerir a corrida era o mais importante, tanto em termos de ritmo como na hidratação e alimentação.

Os primeiros eram feitos em constante subida e era necessário não me deixar ir pelo entusiasmo dos primeiros kms. Era preciso manter-me ligeiramente abaixo do ritmo pretendido e deixar para os kms seguintes as acelerações de ritmo.

Fui-me sempre sentindo muito confortável no ritmo desejado e chegava aos 21km com excelentes sensações. Tudo corria bem. Estava bem hidratado e alimentado…sentia-me forte. Só que devido ao ligeiro encurtamento dos músculos piramidais que me afectaram na semana anterior à prova sentia as pernas mais tensas que o habitual. Talvez estivesse a compensar de alguma forma para que não me doesse e tenha acabado por massacrar um pouco mais as pernas. Ainda assim o ritmo mantinha-se sólido abaixo dos 5:00min/km e o sonho de correr abaixo das 3h30 ainda continuava no horizonte.

Foi por esta altura que passamos junto à Porta do Sol e da Plaza Mayor e onde fomos inundados de gente! Tanta gente, tantos aplausos, tantos gritos de “Vamos campeones”…não consegui esconder o sorriso rasgado e mais uma vez me sentir orgulhoso. Até deixar escapar o controlo e quando olhei para o relógio tinha disparado um bocado o ritmo (ahahahaha).

 Morrer na praia (que não existe) em madrid

Alguns se kms se passaram e entrávamos na Casa de Campo e foi aí que comecei a sentir a chegada da parede dos 30km. A frescura começava a escapar, mas ainda assim conseguia manter-me num ritmo um pouco mais lento mas ainda assim forte (um pouco acima dos 5:00min/km).

Começava a sentir alguma dificuldade em manter um ritmo sólido quando apareceu o João. Partimos de caixas diferentes portanto acabamos por fazer a prova praticamente sempre separados. Pensei que podia apanhar o comboio já que ele parecia mais fresco que eu. Mas foi aí que chegou a subida que provalemente me matou, mesmo à saída da Casa de Campo.

Quando as sensações já não estão as melhores ter de enfrentar uma subida com um inclinação grande só pode arrancar de qualquer runner um bom “foda-se”. Foi o que me aconteceu a mim. Valeu a ajuda do António que apareceu na altura certa para puxar um pouco por mim e quando as pernas pareciam ter mais 20kg cada. O ritmo começava a baixar, a baixar e a baixar e eu tentava a todo custo tentar encontrar forças para por uma nova mudança e voltar a um ritmo confortável. Era uma tarefa hercúlea depois de mais de 30km sempre a correr.

Eu continuava a perder tempo para o João que mantinha um bom ritmo que lhe permitiu alcançar um novo record de 3h32min. Grande orgulho companheiro…pena não ter conseguido seguir no teu ritmo! Alguns kms mais à frente (estava um bocado estabalhoado) e já bem perto da meta encontrava também o Fábio que ainda tentou puxar por mim de forma a conseguirmos cruzar a meta. Tentou aliciar-me com hamburgueres e tudo. Mas naquela altura o corpo já não respondia e por mais que tentasse encontrar forças onde elas já não existiam e ele acabou mesmo por seguir…deixando-me para trás a lutar contra umas pernas a dar as últimas e que podiam parar a qualquer momento. Confesso que naquela altura tinha até algum receio de me “esbardalhar” no chão se elas falhassem.

Último quilómetro de Madrid

Já fui falando de como foi a sensação de fazer o último quilómetro com a bandeira de Portugal aos ombros. Mas acho que é importante ressalvar a importância que teve o público que puxou pelos atletas. Mesmo esgotado ainda consegui arranjar umas últimas forças para celebrar…aquele público espectacular merecia aquele meu último sopro. Ficaram para trás os quilómetros de “parede” cruel que me vergaram. Sim, deixei-me vergar pela parede mas nunca parei, nunca desisti. É isso também que é ser maratonista. Mesmo quando o corpo já não obedece elevamo-nos e ultrapassamos limites.

Ao cruzar a meta sentimento de dever cumprido! Consegui! Mesmo falhando o objectivo competitivo de baixar das 3h30 eu voltava a correr a maratona. Já vou na terceira e ainda este ano terei mais uma chance de bater o record em Novembro, na Maratona do Porto.

Obrigado ao Fábio por depois de me tentar levar até à meta ter esperado lá por mim para fazermos a primeira festa juntos (ou uma tentativa…vejam a minha cara no canal de Youtube do Fábio)! Obrigado à Ângela por me ter dado o melhor abraço de todos! Obrigado ao António que depois de se esfolar todo para aniquilar o próprio recorde à meia-maratona ainda andou de um lado para outro para nos apoiar! Obrigado aos Titan Runners que foram a Madrid (Rita, Mariana e João) e aos que ficaram cá a correr em Matosinhos por me fazerem perceber como é bom partilhar as corridas! E obrigado aos meus Grinder Boys (Pedro e André) que fizeram desta primeira aventura runner internacional espectacular como só nós sabemos!

De Madrid venho de coração cheio! Certo que a minha aventura nas maratonas está muito longe do fim e já com vontade de voltar às calles españolas! Para o posteridade fica o resultado que me enche de orgulho.

Se quiserem saber mais sobre a minha preparação para a Maratona de Madrid podem ler aqui os dois artigos que fiz (parte 1 e parte 2). E já agora também estiveram em Madrid? Contem-me como foi a vossa experiência nos comentários!

Abranda o ritmo e não te esqueças de me deixar o teu comentário